Gelado de chá verde

Antes de mais, bom 2016!

É uma hora estranha para estar a escrever um post, eu sei. Mas está a dar-me uma terrível insónia e, antes de me lançar para um mini-maratona de Sex and the City (pela enésima vez – juro que já sei as falas de cor) para pegar o sono, decidi vir escrever o primeiro post do ano.

Não vou partilhar nenhuma descoberta, mas partilhar convosco aquilo que tinha prometido no facebook e no instagram: a minha experiência com um gelado de chá verde caseiro, ideal para rechear uns igualmente caseiros daifukus, ou mochis. Quem está a ficar com os olhos em bico, não desista já.

Há uns dias experimentei, pela primeira vez, fazer gelado de chá verde. Desde que provei este gelado no saudoso restaurante japonês Aya, quis experimentar fazer em casa, mas era preciso um pozinho precioso: matcha, que só encontrava em lojas gourmet, em frascos de centenas de gramas que custavam – e não estou a exagerar – para lá de 60 €.

Aqui no bairro abriu a Maria Granel, de que já falei aqui, e, tendo em conta o conceito, era o sítio perfeito para ir procurar os poucos gramas de matcha que precisava para fazer o gelado. Lá fui, trazendo para casa os meus 10 gramas (literalmente) desta preciosidade, que guardei até ter disponibilidade mental para pôr mãos à obra.

Procurei dezenas e dezenas de receitas na internet, mas aquela que mais me convenceu foi esta, tirada do site “casa do chá“:

  • 500 ml de leite gordo
  • 100 ml de natas gordas
  • 3 gemas de ovo
  • 100 gramas de açúcar
  • 10 gramas de chá verde em pó (matcha)

A lista de ingredientes é simples, mas a preparação requer alguma paciência. Eu não tinha leite gordo, por isso usei leite meio gordo e cruzei os dedos para que resultasse (spoiler alert: resultou!). As natas usei frescas, porque a minha confiança nas “não frescas” é muito pouca – servem para gratinar e pouco mais.

Primeiro, comecei por bater na minha mágica e adorada Kenwood os ovos com o açúcar e o chá verde. Bati bem, até os ovos terem dobrado de volume e estar uma mistura cheia de ar. Juntei o leite e as natas numa panela e levei ao lume até começar a fervilhar.

thumb_IMG_6655_1024

Tirei do quente e fui juntando, pouco a pouco, a mistura de leite e natas à mistura dos ovos, açúcar e chá verde. A querida Kenwood foi fazendo o trabalho de mexer vigorosamente, o que é essencial, porque com o calor do leite, ou se mexe depressa ou saem uns ovos mexidos doces com sabor a chá verde.

Depois, passei esta mistura novamente para a panela e pus em lume médio-baixo (é agora que entra a parte da paciência). A receita em que me baseei fala em mexer sempre durante cerca de 10-12 minutos. Quando li isto até bufei e mal sabia eu que ia ficar a dar ao braço durante 25 minutos. Querida Bimby, se puderes adaptar esta receita às tuas necessidades – e às minhas – eu ficava eternamente agradecida.

Esta história do “mexer sempre” pode parecer uma treta, mas não é. É preciso mexer sempre, mesmo, sob o risco de coalhar a mistura por causa dos ovos. Quando a mistura estiver suficientemente cremosa e espessa para cobrir a parte de trás de uma colher, está pronta a base do gelado.

Ao longo dos 25 minutos, o líquido vai perdendo a palidez e ganha a cremosidade e o verde-vivo característico do gelado de chá verde.

O ideal, depois, teria sido verter esta mistura numa máquina de gelados e deixar a bater uns minutos, para ficar com uma textura cremosa e livre de cristais de gelo. Mas eu não tenho máquina de gelados. O site de onde tirei a receita sugeria o seguinte, para pessoas sem máquina: “coloque a mistura numa taça que possa ir ao congelador, deixe gelar durante 2 horas, depois volte a bater tudo de novo até ficar cremoso. Volte a congelar, e repita esta operação cerca de 3 a 4 vezes, até a mistura ficar cremosa. Leve ao ou congelador até gelar“.

Claramente não me ia dar a tanto trabalho. E, imbuída do espírito cria-atalhos da Nigella Lawson, decidi simplesmente pôr a mistura numa taça e pôr a congelar.

Claro que o gelado ganhou alguns cristais. Mas ficou uma delícia! Se forem fãs, como eu, de gelado de chá verde… experimentem! Vale mesmo muito a pena. Num japonês, uma bola de gelado de chá verde deve rondar os 3€. Em casa e por cerca de 2,5€, ficam com 1 litro de gelado maravilhoso para satisfazer desejos repentinos. Como eu tenho. Tantas e tantas vezes.

thumb_IMG_6683_1024

No próximo post, mostro-vos a receita dos daifuku (mochi), que são uma iguaria japonesa que adoro e não há muito por aí. Novo spoiler: ficaram um espectáculo! Surpreendi-me a mim mesma 😉

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s