Fora do Meu Bairro: Atelier dos Chefes

Se há coisa que gosto nesta vida, é de boas refeições. Adoro adivinhar ingredientes e descobrir novas técnicas de confecção.

A minha mãe adora experimentar as sugestões gastronómicas de revistas e amigos, e tem sempre um rol gigante de restaurantes a experimentar pelo país fora. Há uns 10 anos atrás, fazia parte dessa lista o Vin Rouge, um restaurante na Amoreira que tinha à sua frente um jovem chef promissor, João Antunes, que já contava no currículo com o lugar de Cozinheiro de 1.ª no Restaurante Fortaleza do Guincho e Subchefe no 100 Maneiras de Cascais.

Para nós, que não conhecíamos a zona, o restaurante ficava um bocado no meio de “nenhures”, o que começou por ser um ponto negativo. Depois do amuse-bouche já nem nos lembrávamos da localização. No fundo, era como se estivéssemos em casa. A Rita, mulher do Chef, trazia-nos os pratos e divertia-se connosco, que tentávamos adivinhar os ingredientes do menu surpresa preparado pelo Chef.

Ingredientes fresquíssimos, pratos originais e preços muito competitivos, foram três razões que nos levaram a voltar ao Vin Rouge. Uma, outra e outra vez.

A certa altura, receberam uma proposta do Albatroz, mesmo em cima da baía de Cascais, para se instalarem no restaurante do hotel.

Fomos ao Vin Rouge vezes sem conta e nunca nos desiludimos. Não me recordo de haver um único prato de que tenhamos gostado menos. O menu era composto por um amuse-bouche (criatividade e imenso sabor em porções one-bite), uma entrada, prato principal, pré-sobremesa (também porções one-bite carregadíssimas de sabor) e sobremesa. Com o café, vinham umas mignardises, que fechavam o jantar na perfeição.

De repente, dá-se um fenómeno estranho: Cascais, que era uma zona sempre cheia de vida, começa a esmorecer. As ruas sempre cheias de pessoas de repente ficam desertas. Vem a crise, e o Vin Rouge teve que fechar. Fui lá com o meu marido na última semana de vida do Vin Rouge no Albatroz.

Ainda hoje continuo à espera da notícia da reabertura do Vin Rouge. Enquanto isso não acontece, os Chefs dedicam-se a um novo projecto: O Atelier dos Chefes.

Acho que quando se é muito bom numa arte, ensinar é um acto de generosidade.

E o João e a Rita dão agora workshops em que vão ensinando receitas, truques e dicas.

Há uns fins-de-semana atrás, fomos revê-los num workshop de receitas vegetarianas, onde nos mostraram que receitas sem carne ou peixe não têm que ser só um monte de legumes estufados.

Fizemos chamuças de legumes, “mil-folhas” de espinafres e morangos (parece estranho, mas foi a receita de que mais gostei) e falsos raviolis de beterraba e roquefort (partilho a imagem da minha criação convosco).

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Podem saber mais informações sobre os workshops na página de facebook Atelier dos Chefes.

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Maria Granel

Esta é uma novidade fresquinha do bairro! Li por aí que tinha aberto esta mercearia e adorei o conceito: há uma variedade infinita de produtos – cogumelos secos, café em grão, granola, frutos secos, spirulina, farinhas de tudo, and then some – e a pessoa escolhe a quantidade que quer levar. Se quer levar 5 gramas, é 5 gramas que leva. Detesto a tirania dos produtos pré-embalados com a quantidade que nos querem impingir. Às vezes precisamos de uns pozinhos de qualquer coisa para fazer aquela receita espectacular das últimas páginas da iHola!, e somos obrigados a ficar com um saco cheio – menos os tais pozinhos – que fica a ganhar ranço na despensa até eventualmente ir para o lixo (às vezes com gorgulho envolvido à mistura).

A ideia de vender a granel é óptima porque ajuda a combater o desperdício e permite-nos – porque o orçamento não é infinito – levar poucochinho de muita coisa, em vez de muito de pouca coisa.

Na última sexta-feira – tinha a Maria Granel aberto há 4 dias – fui lá espreitar e fiquei maravilhada.

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A loja está linda e os produtos são quase todos biológicos (há umas 4 ou 5 excepções). Podemos levar as nossas embalagens ou usar as que há na loja ao nosso dispor.

Há pequenas balanças espalhadas para que possamos ir controlando as quantidades daquilo que levamos, e os produtos estão em caixas com pás para nos servirmos ou em dispensadores (tipo aqueles de cereais de pequeno-almoço de hotel) para irmos doseando à nossa vontade. Não era difícil, com este conceito totalmente “à vontade do freguês”, que a loja ficasse cheia de farinhas, sementes e bagos de arroz por todos os lados. Mas também pensaram nisso: volta e meia pegam num mini aspirador e vão limpando as bancadas. Impecável!

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Falei com a Cristiana, que estava ao balcão, que me disse que num futuro próximo iam fazer workshops sobre alimentação saudável – vou ficar atenta!

Fica na Rua José Duro, n.º 22 B (numa das perpendiculares à Av. da Igreja), está aberta de Segunda a Sexta, das 9h30 às 19h00 e Sábado das 9h às 17h00 (fecha aos Domingos).

Por pouco mais de 3€, saí de lá com bulgur (que nunca consigo encontrar em supermercados), farinha de arroz, paprika doce, paprika forte e amendoins crocantes. Tudo à minha medida.

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Agora fico à espera que tenham Matcha – que é o mesmo que dizer chá verde em pó – que só encontro à venda em lojas gourmet a preços proibitivos e em quantidades que não preciso.

Adorei!